Brasil e corrupção: uma companhia ilimitada

Por Juliana Laet

Depois da absolvição de Jaqueline Roriz é a vez de Orlando Silva permanecer no cargo. A população não reage. Deu mais que uma carta branca ao governo com a falta de reação, deu claras mostras de que não se interessa por política e que a política nada tem a ver com ela. Política é para políticos. Nosso papel é somente, de 2 em 2 anos aparecer nas urnas para digitar alguns número ali naquela moderna urna eletrônica. E só comparecemos porque somos obrigados. Se o voto não fosse obrigatório no Brasil, não duvido que apenas 10% da população votante realmente comparecesse às urnas.

Dilma declarou, em nota, que “o governo não condena ninguém sem provas” e, como vimos, nem com provas. Não existe mais porque a presidente continuar na sua manobra de faxina. Se a faxina começou com o intuito de construir uma boa imagem ao governo, agora ela se faz completamente desnecessária. Qual é a real importância de uma opinião pública de um público que, no máximo, reclama com seus pares no ônibus no caminho sobre como o governo é corrupto sem ter uma reação séria diante disso? Para mim, nenhuma. Eu não me preocuparia.

O que temos visto por parte do governo é justamente isso: ignoram a opinião pública porque ela não interfere realmente em nada. O mais importante é que sejam mantidas as manobras. O bem da população não é levado em conta, apenas os interesses particulares de cada político. Precisam do povo porque este paga os impostos que alimentam a sua roubalheira. Nem a imagem conta mais. A política brasileira é um esculacho puro.

Não é que o governo está sondando para saber qual o limite da corrupção que o povo aceita e engole. Esse limite não existe, está mais do que provado. 1992 eram tempos diferentes, agora ninguém vai exigir impeachment contra político algum. E eles já sabem. O maior escândalo de corrupção da história brasileira estourou na era Lula, a denúncia do mensalão escancarou o que os brasileiros e as brasileiras já sabiam, pois aprenderam desde o início da democracia lá com Collor e ainda passaram pelos escândalos da era FHC: eles/as fazem o que querem com o nosso dinheiro, com nosso governo, com a nossa política e com nossa soberania e nós não fazemos nada.

Até quando?

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5 pensamentos sobre “Brasil e corrupção: uma companhia ilimitada

  1. Vinícius, eu acho que os movimentos de esquerda tem lá seu papel e com certeza poderiam contribuir mais para lutar contra essa apatia. Aliás não só os de esquerda. O que eu acho é que a população se sente muito distante da política.
    Tem também a famosa questão da ‘governabilidade’, quando um grupo de esquerda chega ao poder, ele tem que fazer várias concessões e acaba por não necessariamente praticar aquilo que pregou. Acho que assim que se atinge o poder, esses partidos/movimentos sofrem uma balização, uma adequação. Acho importante, por isso, sempre ter novos movimentos menores e com idéias mais inovadoras surgindo. É como se fosse um “filtro”. Apesar da apatia, acho que caminhamos a passos muito lentos e que cada ato tem seu valor. Mas é muito difícil lutar contra essa apatia sendo ela tão arraigada nos valores dos cidadãos em geral.

  2. Eu acredito que não dá pra tentar colocar nos ombros do povo a falta de ação em cima disso. A apatia do povo não é escolha, é produto da sociedade. Basicamente, essa apatia leva aos políticos, que, como você observou, não ligam pra opinião pública pq já sabem que não vai acontecer nada.

    Porém, e aqui eu vou pra outro lado do assunto (especificamente da apatia), não seriam os grupos opositores os maiores responsáveis pela afirmação da ideologia hegemônica? Não são eles que, ao mesmo tempo que demonstram que a democracia existe (pois, oras, são opositores e ainda têm espaço pra agir), demonstram a sua hegemonia (sendo sempre periféricos, minoritários, motivos de piada e etc)?

    Quando um sujeito vê uma marcha contra qualquer coisa, e olha uma bandeira socialista, por exemplo, asteada, e fala, “Putz, de novo essa bobagem… É tudo muito bonito, mas o mundo não é assim, não vai mudar” ele já expressa a apatia máxima, reconhecendo a existência do grupo de esquerda suposamente socialista e sua inferioridade/irracionalidade?

    Pra acontecer alguma mudança, não seria, então, necessário uma ação diferente dos grupos de esquerda?

    • Concordo que a apatia do povo tem diversos motivos. É toda uma cultura política brasileira que se construiu baseada no personalismo e no patrimonialismo. Sempre tivemos os cabeças a nos representar lá no governo. Vou até citar o Sérgio Buarque de Hollanda aqui: “O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição.” O que acontece no Brasil é justamente a reprodução do ambiente familiar no ambiente público.

      Mas o que parece é que estamos nós aqui da população lutando contra os bandidos políticos quando o governo nada mais deveria ser do que nós ali representados já que a população é grande demais e, portanto, faz-se necessário reunir demandas. Eu queria saber quando e como houve essa separação, pois o governo sempre deveria ser uma extensão do povo e não uma instituição à parte.

      Mas quando vc fala de oposição sendo ela uma reunião de socialistas/de esquerda, aqui no Brasil o movimento socialista ou de esquerda praticamente nem existe. E eu não acho uma alternativa viável, eu não acredito no comunismo. O PC do B é o Partido Comunista do Brasil que a gente sabe não ter nada de comunista.

      • Exato, não seriam esses partidos as demonstrações do que seria o ocidente pós-ideológico? Partidos comunistas que se juntam à partidos de direita pra realizar uma política administrativa totalmente liberal, pois, como sabemos, o capitalismo ganhou e Fukuyama acertou na mosca?

        Em contrapartida à isso, vemos o PSTU, PCO, PCR, PCB, Mov. Anarquistas e Comunistas diversos, que são legítimos em suas reivindicações, porém, no fim das contas, são reconhecidos como uma extensão dos partidos pseudocomunistas, como PCdoB. Eu acredito que a oposição destes partidos, que são o movimento de esquerda brasileiro, acaba reafirmando a suposta naturalidade do sistema atual. Ou seja, a aboragem já foi incluida na ideologia. Já existe a tiração de sarro ou a naturalidade de se rejeitar a nova ideia de acabar com o sistema atual. “É muito bonito, eu até te admiro, mas o mundo não é assim”.

  3. Parece que estão surgindo novas denúncias.
    Vamos ver se agora a faxina da Dilma consegue tirar Orlando Silva.

    É um absurdo ter um ministro “de fachada” na pasta dos esportes em vista dos eventos que o Brasil sediará.

    O mais triste é que, mesmo que ele caia, logo surgirão outras suspeitas. E, por fim, acredito que sejam apenas bodes expiatórios… a corrupção tem meios que nem sonhamos…

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