Conversinhas de cinema: “Slovenka” e “Elles”

Por Juliana Laet

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Dois filmes bem diferentes que giram em torno do mesmo tema: prostituição. O primeiro, conta a história da vida de uma prostituta. O segundo, a história da vida de uma jornalista que cruza com duas prostitutas por conta da sua profissão. Slovenka e Elles, dois longas interessantes, falam sobre um assunto que é tabu para uns e umas, diversão para outros/as, mas que é muito importante para a sociedade.

Acompanhamos Slovenka pelas ruas de Ljubjana, na Eslovênia. Ela é jovem, estuda inglês e quer ter uma vida feliz. Começa a se prostituir para pagar suas contas e também algum luxo e conforto. História bastante comum.

Anne é uma jornalista, mãe de família com dois filhos e um marido que trabalha demais. Está escrevendo um artigo sobre a prostituição e entrevista duas prostitutas: Lola e Alicja. Ambas são jovens. Uma não sabe muito bem porque começou a se prostituir e diz que nunca se perguntou isso, mas que nunca conseguiu parar. Alicja é polonesa e veio à França para estudar. Logo que chega a este país é assediada por um homem que lhe oferecia um quarto para alugar. A partir daí ela pensa que as pessoas só lhe oferecerão ajuda porque querem transar com ela. Um cenário clichê, é verdade. O filme não chega a surpreender, mas tem suas qualidades.

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Cada uma dessas meninas tem suas dificuldades e seus prazeres na profissão. Enquanto Lola e Aljcia parecem levar a coisa até que bem, apesar das suas crises pessoais também em relação ao fato de terem de esconder de outras pessoas sua vida paralela. O que lhes chateia, como em Slovenka, é a mentira. A vida dupla que levam. Elas tem dinheiro, um apartamento legal e, quando não são estupradas com uma garrafa por um cliente sádico, por exemplo, conseguem extrair prazer dos momentos que passam com seus clientes.

Slovenka sofre um pouco mais. Odeia a mãe e tem um medo horrível de ferir os sentimentos do pai. Um velho que nunca tem dinheiro e que quer remontar a banda da adolescência com os amigos também velhos. Nas idas e vindas de Ljubljana, ela se mete em algumas enrascadas e a gente passa apertos horríveis com ela: a perseguição dos gigolôs que querem aliciá-la é angustiante. Mas esse ainda não seria seu maior pesadelo. Slovenka teme os outros e guarda seu segredo a sete chaves, teme sua própria consciência e sofre demais com as decisões que toma. Ela deve escolher, sempre, entre duas dificuldades: passar uma vida de apertos financeiros ou uma vida de críticas morais próprias ou alheias.

Em “Elles” as histórias de Lola e Aljcia são o pano de fundo bem presente das mudanças que ocorrem com Anne. Mudanças internas. Que ela exterioriza num incômodo constante consigo mesma, num primeiro momento, e também com as pessoas ao redor, principalmente com o marido. Anne não critica as meninas, não as julga, quer conhecê-las a fundo, bem a fundo. E isso se traduz num conhecimento dela mesma e da sociedade. Numa auto-transformação.elles2

A cena mais interessante do filme é quando o jantar que ela dá ao patrão do marido se transforma numa mesa repleta de homens, os homens que foram os clientes das duas meninas enquanto elas contam suas histórias. Aliás, o olhar do sádico é assustador, prende, ofende.slovenka1

Slovenka e Elles ao tratarem da prostituição de formas distintas humanizam as profissionais do sexo de maneiras diferentes. Enquanto o primeiro mostra um sofrimento maior, o segundo caminha entre o prazer e a dor de se ser o que é. No caso do segundo, não apenas no contexto da prostituição, mas também na vida de uma mãe de família de classe média alta. São filmes que tratam a situação com uma tremenda delicadeza e valem a pena ser vistos.

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