Na bruma leve: uma viagem a Pernambuco

Retomando as atividades do blog depois desse período de férias, nada melhor do que um texto sobre as benditas! Abaixo eu, Juliana Laet, conto como foi viajar a Pernambuco pela primeira vez!! 

Pernambuco já é um lugar místico na mente de paulistanas como eu, que nunca havia viajado para o Nordeste. Fui contando os dias até que o tão esperado 7 de dezembro finalmente chegou. Nossa primeira breve parada foi Recife, só porque é onde fica o aeroporto. Duas horas e meia depois chegamos a Maracaípe, o destino número 1, uma praia a 3km de Porto de Galinhas, algumas horas depois. Armamos a barraca no camping e fomos procurar comida. O cardápio não usual da nossa primeira refeição pernambucana foi: caranguejos no molho de coco, macaxeira com carne de sol e Brahma. Pernambucanos só bebem Skol. Uma Skol doce e horrível, diga-se de passagem.

Foto 0321

Eram quase 17h e as pessoas estavam fechando seus bares e restaurante à beira da praia de surfistas. Depois de termos bastante dificuldade para comer os caranguejos e bastante prazer com a carne de sol, na hora de pagar, o bar não aceitava cartões apesar da placa. Mal sabíamos que uma placa de cartões não significa nada por aquelas bandas.

No dia seguinte, começou a chover às 4h30 da manhã. Qual foi nossa surpresa ao sair da barraca para ver se estava tudo ok quando nos deparamos com o dia já clareando! Em Pernambuco não tem horário de verão e o sol é madrugador. Levantamos cedo, passamos a manhã numa praia deliciosa em Porto de Galinhas. Já chegando perto da areia fomos abordadas por uma mulher que nos prometeu o guarda-sol de frente pro mar, que, uma hora depois, se tornaria só mais um lugar em meio a um monte de outros guarda-sóis que, como o nosso estaria “de frente para o mar”. Mergulhamos no fim da tarde, fomos deitar às 20h de tão cansadas. É que a impressão que dá com o sol que se levanta às 4h30 é que 19h são 10 da noite.

Tanto deitamos cedo que dia seguinte às 5h30 da manhã já estávamos contentes caminhando em direção às piscinas naturais de Maracaípe. Algumas horas depois, uma van nos pegava para levar até a Praia dos Carneiros. Uma praia paradisíaca e privada a uma hora de Porto de Galinhas.  Parecia mais uma piscina já que não tinha ondas no mar. Uma ilha no centro e o segundo maior banco de areia do estado. Aí embaixo sou eu em alto mar em cima do banco de areia!!! Dá pra crer?

Praia dos Carneiros

Descobri que na praia por mais que você ande, nunca chega. Víamos ao longe, na manhã seguinte, o que seria nosso próximo destino: o Pontal do Maracaípe.

Pontal do Maracaípe

Se não foi o lugar mais bonito que já vi na vida, está entre os primeiros sem dúvida. Conseguimos finalmente chegar ao pontal às 7h30. A maré bem baixa. Andávamos no meio do oceano com a água nas canelas, assim, tipo Jesus mesmo. Na foto eu estou no meio do mar, embora não pareça. É que é difícil mostrar como que é lá com essas máquinas mais ou menos e sem a gente poder subir um pouco pra olhar de cima. Daí coloquei uma foto de algum/a fotógrafo/a profissional ali do lado.

Algumas horas depois a maré tinha subido tanto que nossa primeira imagem do pontal era só uma lembrança. Paramos num bar lindo à beira da praia e ao som de Alceu Valença e pisando sobre pétalas de flores, soubemos que há alguns anos a água nunca que subia esse tanto e nem sequer na maré mais alta chegava próximo de onde estávamos. Hoje é preciso fazer barreiras.

Deixamos Maracaípe com o pontal na lembrança e partimos para Olinda. A viagem durou uma eternidade e o tempo e a dificuldade de achar a Pousada, o dobro da eternidade. Foi quando descobrimos que as pessoas em Pernambuco não conhecem os nomes das ruas da cidade em que moram e que esquerda e/ou direita é ali e/ou aqui. Foi na primeira noite em Olinda também que constatamos que é proibido comer carne em Pernambuco que não seja carne de sol ou charque. A chance de você comer a carne que pediu é bem remota. Ou simplesmente, picanha é outra parte do boi. Mas, uma valiosa ressalva, carne de sol de bode é coisa de deus! E que fique claro que a única carne comestível por lá é de sol ou charque.

Na foto: essa foto foi tirada em Olinda e é possível ver Recife lá atrás.

Olinda lembra Ouro Preto e Mariana. Mais Mariana porque as ladeiras são bastante amenas. As pessoas por lá são muito simpáticas e solícitas. A cidade é uma gracinha, conhecemos só a parte antiga, obviamente. Compramos várias coisas de turista, marionete, máscara de carnaval, canga, guarda-chuva, etc etc. À noite fomos dar uma olhada num ensaio de um bloquinho de Carnaval chamado “Eu quero mais”. Fantástico! Ao longe vi uma senhorinha tocando violino e fui tirar foto dela. Ficamos conversando com uma mulher durante o ensaio e quando terminou, a senhorinha linda era sogra da mulher. No bloco a filha dela tocava violão e ela, violino. E a história não parava por aí, a senhorinha era uma das fundadoras do bloco que tem mais de 40 anos! Fiquei inebriada e louca para voltar no Carnaval, mas isso é plano de longo prazo.

Deixamos Olinda ainda com a marchinha no pé e voltamos para o Recife. A parada final. Recife é uma cidade grande com praia. Mas uma praia de tubarões. Irrita pelo trânsito, pela bagunça, pelo cheiro ruim de mijo nas ruas, acalenta pela beleza das praias, mesmo que não dê para se banhar nelas tão tranquilamente. Logo de cara fomos tão mal recebidas pela dona da Pousada da Praia (pousada horrível de verdade!) que a primeira impressão que ficou não foi nada boa.

refice antigoRecife antigo é bem clássico. Alguns prédios bem conservados. É uma ilha. Lá pelo século XVII, Olinda, que era a capital do Estado do Pernambuco foi invadida pelos holandeses e toda incendiada. Eles migraram então durante a maré baixa por um enorme banco de areia que liga Olinda à ilha onde fica o centro antigo. Começaram então a construir uma cidade por lá.

Olhando do marco zero para o mar dá para ver uma pequena ilhota com algumas esculturas estranhas. É o Parque das Esculturas de Francisco Brennand. É possível ir até lá com uns rapazes que oferecem uma “corrida” no barquinho por 5 reais ida e volta. Fiz isso. A vista da cidade lá da ilhazinha é linda. As esculturas são bem feias. Parecem todas pênis gigantes. Não gostei muito. Mas é legal andar caminhar ali, ver a água batendo nas rochas.brennand

Adentramos as ruazinhas de paralelepípedos do centro e numa Praça, da qual não lembro o nome, pessoas caminhavam para lá e para cá com algumas estruturas de metal, montavam um palco, testavam o som. Umas bolas grandes denunciavam que ali ocorreria a comemoração do centenário de Luiz Gonzaga. Algumas organizavam seus isopores com Skol (eca!) para a noite. Fomos então presenteadas com shows do Fagner e do Alceu Valença. O Alceu é nascido em Olinda! No show conhecemos duas meninas incríveis que ficaram com a gente a noite toda. Foi assim que Recife conseguiu transformar nosso rancor em paixão.

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2 pensamentos sobre “Na bruma leve: uma viagem a Pernambuco

  1. Nossa linda recife. Sou de garanhuns-pe, mas atualmente moro na regiao de ribeirao preto-sp. Sinto muita saudade de minha terra,mas quando voutar quero dar uma passadinha em recife

  2. Realmente: Skol eca!; Maracaípe maravilhosa; Porto de Galinha turística; Olinda uma graça e Recife…ai ai ai Recife, acho que com seus encantos.
    Todas valem mto visitar e conhecer…mto msm!*

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