Mixtape do coração: mais 20 músicas pra alimentar a obsessão antes de morrer

Por Marilia

Quando a Ju me falou que estava fazendo o exercício de escolher as 20 melhores músicas da sua vida, não resisti a fazer o mesmo. Listar e classificar músicas é um desafio e tanto, mas esse impulso de ordená-las conforme a sensação que causam é quase que irresistível, pelo menos pra mim. E ainda por cima, traz um monte de lembranças. Às vezes não só lembranças boas, mas a sensação de ouvir os acordes que te fazem lembrar de uma determinada época, de pessoas que foram importantes, de uma paixão que tenha marcado… É indescritível. Inclusive, tenho no meu ipod diversas músicas que sou obrigada a pular quando começam a tocar, seja pra não chorar, seja pra não lembrar da saudade que eu sinto de certas épocas e pessoas e, de certa forma, até do meu modo de pensar no passado. Mas, pra elaborar essa listinha, tive de me confrontar com elas… e digo que foi bom! Como acontece com tudo na nossa vida, tirei algumas que já deixaram de fazer sentido, incluí algumas que me causaram lembranças mais recentes, reavaliei as músicas que podem potencializar a tristeza ou a alegria, dependendo do momento. E cheguei à lista abaixo, que foi o mais perto que cheguei da perfeição numa playlist.

É claro que me dói o coração deixar algumas de fora, mas listar é preciso. Desnecessário dizer que não estão listadas em ordem de importância, porque aí também seria tortura pura e simples.

ai, Nina.

ai, Nina.

Então segue.

Aqui a mixtape http://everyonesmixtape.com/#/mix/FaabPesAyH0/2, e abaixo algumas anotações sobre as músicas em questão.

1)    Wild is the Wind – Nina Simone

Bom, não tenho palavras pra expressar meu amor pela Nina, por mais clichê que seja essa frase. Ela é simplesmente fantástica, e tem o tipo de voz que vai lá, direto no fundo da minha alma. E o tipo de amor que ela canta nessa música revela uma dor, um desespero, uma esperança… É tão genuíno.

Quando penso em uma música preferida, é essa a que vem em minha mente em primeiro lugar. Pra variar, a Cat Power também tem uma versão linda dessa música.

2) Just like a Woman – Bob Dylan

Amo Bob Dylan e suas letras. Foi bastante difícil escolher apenas uma, mas essa música, em especial, tem um significado único para mim, marcou uma época da minha vida. Também foi cantada pela Nina, aliás. E também tem versão linda da Charlotte Gainsbourg. Os temas femininos em músicas, aliás, muito me agradam, como vocês verão. Essa versão é do maravilhoso Concert for Bangladesh, um show organizado pelo George Harrison (assistam!) para ajudar a cidade. Não gosto muito do Bob fazendo versões ao vivo, mas foi essa que achei, então…
3) Stay – Pink Floyd

A capa do Obscured by Clouds não é linda?

A capa do Obscured by Clouds não é linda?

Pink Floyd é uma de minhas bandas prediletas de todos os tempos. A música em questão acaba destoando um pouco da linha mais psicodélica da banda, e acho que é disso que eu gosto. Esse disco todo, aliás (Obscured by Clouds), é maravilhoso, mas como só posso incluir uma música… Eu o roubei da minha mãe quando tinha uns 14 anos, e a imagem das luzes desfocadas na capa do disco ficou na minha mente. Ainda ouço o disco todo várias vezes sem enjoar. Simplesmente perfeito. O verso “At rise, looking through my morning eyes, surprised, to find you by side…” já diz tudo. Quem disse que Pink Floyd não é romântico, não é mesmo?

4) Beware of Darkness – George Harrison

Agora sim, podemos falar do meu beatle favorito. George, seu lindo! All Things Must Pass é um disco duplo maravilhoso, que considero a obra prima do George, cheio de músicas ótimas. Beware of Darkness traduz bem o seu espírito zen, de algum modo estranho essa música me enche de otimismo. Aqui, em versão acústica.

5) Errare Humanum Est – Jorge Ben

Um amigo me disse: se quiser atingir a paz eterna, escute a “Tábua de  Esmeralda” uma vez por dia. Acho que ele tem razão. Essa música transmite paz e, quando ouço, penso que nada é mesmo muito sério nessa vida. Além disso, combina com o estilo de vida tranquilo e praiano que venho adquirindo ultimamente.

6) Woman is the Nigger of the world – John Lennon

São poucas coisas das carreiras solos dos Beatles que me cativam, mas essa música é impecável. Eu ainda acho incrível como John era capaz de falar as coisas com esse jeito simples. A metáfora é polêmica, a música é polêmica, mas acho perfeita. Think about it!

7) Marcha enredo da Creche Tropical – Tom Zé

Tom Zé é inexplicável. Acho que é um dos melhores músicos da atualidade, e ele é muito atual apesar de ter os seus 70 e tantos anos. O disco novo, “tropicália lixo lógico” é simplesmente sensacional. Logo que baixei/comprei o disco, ouvia todos os dias, mais de uma vez, sem enjoar. Como tive de escolher só uma música, elejo essa, pois penso que passa toda a essência do disco. Lembrando que foi muito difícil escolher apenas uma música do Tom Zé!

8) Golden Slumbers – The Beatles

Estava outro dia lembrando que, se tivemos relacionamentos ruins na vida, pelo menos podemos herdar o que havia de bom no gosto musical do outro. Comigo foi assim, no que se trata de Beatles. Não sei explicar meu fascínio por Golden Slumbers, apenas uma entre várias obras primas deles. Acho que a voz do Paul na abertura da música é uma das coisas mais belas que já se ouviu, apesar de ele nem ser meu beatle favorito.

9) O Meu Amor – Chico Buarque

Chico é Chico, e fim. Não adianta falar que é clichê, não adianta espernear. Como eu disse, adoro músicas com temas femininos, e adoro quando o Chico se coloca na pele de uma mulher. Também gosto da versão com a Marieta Severo cantando. Ô coisa mais linda.

10) O Estrangeiro – Caetano Veloso

Embora muitos discordem, minhas letras preferidas do Caetano são justamente as letras desse tipo, longas e meio doidas. O que seria de Caetano sem algum resquício de pedantismo? Adoro a intertextualidade de suas músicas. Empata com “livros” e “vaca profana” no meu conceito, mas como tinha de escolher só uma…

Capa de "O Estrangeiro"

Capa de “O Estrangeiro”

11) Espelho – João Nogueira

Samba é vida. Samba é lindo. Samba, até quando é triste, me deixa feliz. Nunca vou esquecer quando subi no táxi ao acabar de chegar em São Paulo e o taxista estava justamente ouvindo essa música, numa fase em que eu estava completamente obcecada por ela. Nesse momento tive a certeza que ela marcava algum momento decisivo da minha vida.

João Nogueira, todo faceiro

João Nogueira, todo faceiro

12) Canto de Ossanha – Elis Regina

“O homem que diz vou não vai, porque quem é mesmo, não diz” – essa é uma verdade universal. Casuarina também fez uma versão dessa música da qual eu gosto muito.

13) Four Women – Nina Simone

Arrepio na alma é o que uso para descrever a emoção que essa música me passa. Não é uma tristeza sambística, que faz a gente levantar e dançar, enfrentando o sofrimento da vida. Dá vergonha, dá mal-estar. É o tipo de crítica que faz a gente olhar pro mundo e perceber o absurdo que é tudo isso. A Nina tem diversas músicas de crítica social, mas essa é especialmente forte. Já ouvi muitas e muitas vezes e, toda vez que ouço com atenção, ainda me sobe pela garganta uma certa vontade de chorar. Já chorei muito no ônibus pensando nas histórias de Aunt Sarah, Saffronia, Sweet Thing e Peaches. Essa é pra ouvir AGORA.

14) In the Wee Small Hours – Frank Sinatra

Tem como descrever melhor a paixão do que uma noite sem dormir, observando as primeiras horas da manhã e pensando na pessoa amada? Lindo.

Frank, um clássico

Frank, um clássico

15) Babe, I’m gonna Leave You – Led Zeppelin

Minha alma roqueira da adolescência tinha que encontrar alguma expressão nessa lista. Eis aí outro disco que roubei da minha mãe quando era bem nova. Ainda lembro muito bem do Zeppelin na capa, e de ouvi-lo por dias e dias no meu quarto.

16) Blue Ridge Mountains –Fleet Foxes

É a representação indie nessa lista, faceta minha que só foi se mostrar quando eu já estava mais velha. Fleet Foxes me faz sentir vontade de inverno. As melodias são muito boas, tem algo de solene e importante. Adorei o primeiro disco todo, mas elejo essa como minha predileta. Versão do Take Away Show da Blogothéque, um site maravilhoso pra quem quer descobrir coisas novas.

17) Rebel, Rebel – David Bowie

Bowie… Foi difícil escolher uma só. Mas essa é a música dele que mais me passa alegria, um senso de urgência em fazer alguma coisa, mesmo que seja só se divertir.

18) Candy – Iggy Pop

Ah, os anos 90! Eis o hino de minha adolescência. Em algum momento da vida, pensei até mesmo em tatuar frases da letra dessa música. Sabe uma música que, quando toca, você não consegue ficar parada, mesmo que esteja andando na rua com fones de ouvido? É essa.

19) I have forgiven Jesus – Morrissey

Sem mais delongas, Morrissey declarando sua inconformidade com um tal Jesus que o colocou num mundo tão cheio de desamor. Parece clichê, mas é ótimo.

20) I Know It’s Over.morrissey

Vou ali cortar os pulsos e já venho.

Por ora, é isso.

Tem muita coisa que ficou de fora e muita coisa que eu só vou perceber que ficou de fora depois. Mas aos poucos vou atualizando a mixtape, quero ver até onde chega. Dá pra acompanhar pelo link :)

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